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Gui Amabis

Despiram- se
de vergonhas.
Abriram mão
de benevolências
e se deram um ao outro

Rasgaram-se de lascivo amor intenso.
De visceral,
de entranhas,
perderam o senso,
o tempo,
o peso.

E foi assim em todos os cantos,
cântaros,
cantos,
uivos e impropérios.
Em troca de suas águas,
se davam em bicas.

Pediram trégua,
negaram arrego.
Trôpegos,
cambalearam
em todos os ângulos e trapézios do mundo.
Continuaram.

O desafio
de pernas e corda bamba.

E amaram-se tanto quanto não se sabe.
Tanto que não se ouve.
Tanto, tanto que nem se fala.

Os frêmitos, os gritos,
O gozo em evasão da verve.
Não lhes restou força para segurar o ser.

Esvaíram-se.
e
entregues
estão
à alma
um do outro.

Eu queria um freio
potente
para esta jamanta desgovernada
que tenho aqui dentro.
 
Se não tenho sinalização interna
coerente,
e minhas curvas
não passam de cavidades esburacadas
escorregadiças,

Um freio potente
me livraria do risco
iminente
do auto-atropelamento?

Toda dor é um desejo

de ser assoprado , com gracejo,

pelo bom vento do ser amado.

 

Assim sendo,

mesmo morrendo,

toda dor de amor é um pouco boa.

então tudo é de repente:

eu, derrapada;

você, freada brusca.

 

Inerente ao acaso,

espero uma nova tragédia que nos aproxime.  

É certo que as palavras não mais me nutrem, mas são as últimas migalhas que insisto em digerir. Por entre elas sou intimado a me ater ao indigesto e ao amargo. O pouco sal que traveste o dissabor logo cai em minhas veias e macula aquele que ainda pulsa latidos de um cão sem rumo. No deserto não encontro mais a paz característica e discursiva do conteúdo  latente. No silêncio meu templo é fraudulento. Me atropelo encarcerado numa população ruidosa que me obriga a um sorriso maledicente e vingativo. Tornei-me comum.

Da janela de meus óculos trincados vejo apenas o que me impõe patologia.

Da janela,

ouço e grito,

apenas desamor.