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“(…)Não te equivoques, Nathanael, ante o título brutal que me agradou dar a este livro.

Nele me pus sem arrebiques nem pudor; e se nele falo por vezes de lugares que não vi, de perfumes que não cheirei, de ações que não cometi – ou de ti, Nathanael, que ainda não encontrei – não é por hipocrisia. E essas coisas não são mais mentirosas do que este nome que te dou, Nathanael, que me lerás, ignorando o teu, ainda por surgir.

Quando me tiveres lido, joga fora este livro – e sai.  Sai do que quer que seja e de onde seja, de tua cidade, de tua família, de teu quarto, de teu pensamento. Que o meu livro te ensine a te interessares mais por ti do que por ele próprio – depois por tudo o mais – mais do que por ti.”

André Gide em “Os Frutos da Terra”. Paris, 1927.

Na realidade, as probabilidades são de que, quanto mais insincero é o homem, mais puramente intelectual a idéia será, uma vez que, naquele caso, não estará colorida por nenhuma das necessidades, dos desejos ou do preconceito dele. Contudo, não pretendo discutir política, sociologia ou metafísica com você. Prefiro as pessoas aos seus princípios, e prefiro, acima de tudo no mundo, as pessoas sem princípio.

 

Oscar Wilde – O retrato de Dorian Gray

 

” Idolatrado por todos, denegado por cada um, eu era um pago-por-cota e não contava senão com recurso a mim que não existia ainda, palácio de espelho deserto onde o século nascente mirava o seu tédio. Nasci para satisfazer a grande necessidade que eu tinha de mim mesmo; conhecera até então apenas as vaidades de um cão de luxo; acuado no orgulho, tornei-me o Orgulhoso. “

Jean-Paul Sartre

Um mendigo dos arredores de Madri esmolava nobremente. Disse-lhe um transeunte:  

– O sr. não tem vergonha de se dedicar a mister tão infame, quando podia trabalhar?  
– Senhor, – respondeu o pedinte – estou lhe pedindo dinheiro e não conselhos.  
 
E com toda a dignidade castelhana virou-lhe as costas. Era um mendigo soberbo. Um nada lhe feria a vaidade. Pedia esmola por amor de si mesmo, e por amor de si mesmo não suportava reprimendas.”  
 
 

Voltaire