Depois de 129 dias arrastados em meio a calor, chuva, mofo e multidão, o morto resolve se levantar e ir fazer essas coisas de mortos normais. Feira.

No meio do furdunço,  o morto de olhar astuto  apresta, entre restos de peixe, peles de frango molengadas pelo quente, pés de porco expostos com unhas e sangue, tapiocas, pastéis e tererês, que as mulheres-fruta estavam, se não um pouco passadas, com cara de muito azedas.

Como o morto é lá bem moço de fino trato, resolveu perguntar às fofoletes o que poderia fazer para apaziguar o furúnculo anímico que as impedia de sentar de popozão inteiro sobre esta efeméride que é a vida.

A resposta foi básica, simples e objetiva (como não poderia deixar de ser):

– Oi????

Nunca se viu um morto desistir tão fácil assim da vida.

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