É certo que as palavras não mais me nutrem, mas são as últimas migalhas que insisto em digerir. Por entre elas sou intimado a me ater ao indigesto e ao amargo. O pouco sal que traveste o dissabor logo cai em minhas veias e macula aquele que ainda pulsa latidos de um cão sem rumo. No deserto não encontro mais a paz característica e discursiva do conteúdo  latente. No silêncio meu templo é fraudulento. Me atropelo encarcerado numa população ruidosa que me obriga a um sorriso maledicente e vingativo. Tornei-me comum.

Da janela de meus óculos trincados vejo apenas o que me impõe patologia.

Da janela,

ouço e grito,

apenas desamor.

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