– Você conhece aquele cara que tá olhando pra cá?

– Não.

– Meu, mas ele não pára de olhar, caramba!

– Pô, deixa o cara olhar. Ele tem olho, oras.

– Vai ver é viado.

– Vai ver é neonazista.

 

(silêncio)

 

– E daí?

– E daí o quê?

– E daí se ele for neonazista?

– E daí se ele for viado?

– Se ele for viado explica ele olhando pra cá.

– E…

– E se ele for neonazista tá olhando pra cá porque? Deve tá achando que a gente é  que é viado.

– Meu, pára com isso.

 

(silêncio)

 

– Cara, eu vô lá tirar satisfação.

– Vai lá!

– Ué, você não vai tentar me impedir?

– Claro que não. Nem te conheço.

– Como não, cara? A gente tá aqui nessa fila tem mais de meia hora. E já tamo até trocando idéia.

– Eu, heim… paulista é tudo louco.

– Ah tá! E você é o quê? Carioca, mermão?

– Não. Sou neonazista. E você?

– Eu sou viado.

– Porra, vá a merda!

 

 

 

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