Passou mais um dia sem saber que aquela dor que sentia era só mais uma dor sem nome, sem data de nascimento, sem fins lucrativos. Uma dor que passa no caixa do supermercado e não pede nota fiscal paulista, tampouco a dor tem cpf. Passou mais esse dia esperando que a dor fosse reconhecida por um desses rapazes que aparecem e te tiram o dolorido do existir, e mostram uma foto em preto e branco de uma menina silenciosa observando a partida de um balão colorido, e na foto só o balão é vermelho. Passou. Mais um dia. E ele só. Dormiu. Sem paz, nem rapaz. Sentia-se venenoso. “Chega”. Eram pensamentos lívidos. Pensamentos de madrugada.

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