Escreveu durante um ano e um mês, sem parar. Sim, nesse meio tempo fez outras coisas, é claro. Mas fez pouco. No mais escreveu, escreveu e escreveu. Até que um dia parou e levou diversas horas para ler tudo que tinha escrito com tanto afinco. Corrigia daqui, melhorava dali, mas não ficava satisfeito. Achava tudo um horror. Rasgou. Jogou tudo no lixo. Recomeçou. Uma, duas, três vezes. Vários anos e sempre o mesmo resultado: nada que lhe agradasse.  
 
Percebeu então a rotina adquirida e viu que não era o resultado que  importava. O que  aprezia sua alma era o processo. Escrever por escrever o  impulsionava a continuar escrevendo.  A rotina neste caso (mas não apenas nesse) foi o que de melhor pôde lhe acontecer.

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