Dum dicionário de língua portuguesa ou aleatóriamente de sua imaginação, retire uma porção de palavras quaisquer. Comece com umas cinco, depois aumente paulatinamente de acordo com o seu ego (ou a ovação de seus amigos). Por exemplo: soleira, azul, descanso, repousa, poeta.

Lance-as num liquidificador, fume um baseado ou fique angustiado. Os três métodos são infalíveis, mas cuidado: nunca os use de uma só vez. Corre o risco de ganhar a alcunha de novo-mau-do-século. Ou de plágio de Caio Fernando Abreu. No final, coloque a mistura num papel. Dependendo das palavras não precisa untar. Muitas já são grudentas por natureza.

Na soleira do azul repousa o descanso-poeta.

Se não lhe agradar, faça novamente juntado hifens, reticências e travessões. De uma pitada de underground nosense como quem quer dizer algo nas entrelinhas. Dependendo da ocasião, sirva em pequenas porções.

Descansa o azul na soleira do poeta repousante.  

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