Não era um curso de pompoarismo qualquer. Era um curso de pompoarismo com técnicas tântricas e meditativas para uma fisgada transcendental do pinto alheio. Atingiriam um nirvana vaginal para uma melhor sucção no desempenho profissional. Sim profissional, já que as duas únicas alunas da Mestra Shan NaVir-hada eram putas. Putas zen, pudera, em busca de uma paz de espírito rara nesse meio.

Embora reflexivo, um curso de profundo auto-conhecimento, ênfase no orgasmo meditativo (sem toques nem gritos estridentes) e relevante quanto ao grau de auto-controle, as duas putas que lá buscavam evoluir viviam em profundo desacordo. Uma desarmonia que beirava as esquinas da Rua Augusta. Se uma afirmava certa coisa, simples que fosse, a outra de prontidão já negava veementemente e era uma discussão sem fim. A sábia Mestra só observava e expressava no olhar de deusa indiana a superioridade de quem formula teorias zen. Rhaum.

Certa manhã no Then-plo Mhayor, numa discussão mais acesa, uma delas empurrou vigorosamente a outra que estatelou-se no chão desamparada. A Mestra que passava por ali, observava a tudo desde o início. Aproximou-se da discípula caída e a ajudou a levantar. Pairava no ar um silêncio entrecortado por sinos-dos-ventos. Depois, dirigindo-se às duas, fitou-as intensamente nos olhos e as censurou com espiritual, pacífica e quase irritante superioridade:

– Quem não sabe controlar os seu impulsos, não pode controlar suas consequências. Meditemos profundamente com  os exercícios das bolinhas de ping-pong e vasilina. Rhaum.

As putas se entreolharam, depois encararam a Grande Shan NaVir-hada que quase levitava. Deram-lhe uma tremenda coça, embaladas por um novo mantra que entoava cadêncialmente soronos soc, tum, plofth!

Naquele momento encontraram a paz ao atingirem juntas um nivarana transcendental, um orgasmo uníssono vindo dos confins do cosmo.

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