Eram 19 horas e o sol ainda morenava a minha pele. Estava lá plantado há uma hora e meia e nada dela chegar. Desisti de esperar. Resolvi ir embora caminhando. Precisava esfriar as idéias. Cheguei em casa e não pensava mais nela. Liguei a TV. O apresentador do telejornal falava algumas baboseiras sobre um acidente. Esse tipo de assunto já não me descia mais a garganta. Violência, acidente, mortes, taxa selic… Estava tão cansado e não sabia se era só por isso. Desliguei a tv e fui pra uma ducha fria. O dia fora cansativo e eu não pensava mais nela. Não queria saber porque ela não apareceu. Nenhum pensamento povoava a minha cabeça. Nenhuma dor sem nome me invadia.

Mandar um email pra ela? Não, nem pensei nisso. Liguei o computador e esperei. Ainda bem que apareceu um outro amigo e não ela. Papo bom. Conexão de vento em popa. Já tinha até me esquecido de não pensar nela quando ele toca no assunto: e ela? Respondi que não sabia, que nem lembrava mais dela, que pouco me importava… Mas eu vejo comentários dela no seu blog… Bah! Mas eu nem ligo mais! E os seus comentários no blog dela? Não sei… Sem resposta me despedi. E fui dormir sem pensar nela.

Fiz questão de não sonhar com ela. Mas sem permissão ela apareceu em meu sonho e nele fugia de mim como o diabo da cruz. Ou como a cruz foge do diabo, sei lá. Acordei de sobressalto. Transpirava mais que o normal. E o nome que me veio a mente ao abrir os olhos não foi o dela. Estava faminto. Fui à geladeira mas não achei muita coisa. Há um tempo eu não fazia compras. Não porque eu esperava que ela chegasse para me ajudar, mas porque… porque… oras, não havia um porquê. Não fazia compras há um tempo e pronto! Tomei um copo de leite. Não senti a mínima vontade de ligar o computador. Não tinha motivos para abrir meu email. Muito menos para ficar chateado por não receber nenhuma mensagem dela. Dela quem? Quem era ela?
De qualquer forma, meu email ficou aberto o resto da noite. Não que eu esperasse uma mensagem dela. Eu nem pensava, nunca!, nela. E sem saber porquê fiquei ali até amanhecer em companhia do F5. O tempo todo, F5.

Com o dia já claro, depois de muito custo, me lembrei dela. Lembrei-me também do acidente no notíciário da TV. Mandei um email só para saber se estava tudo bem. A mensagem retornou.

Chorei quieto. Sem nem saber por quê.

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