Dentro das sete caixas enfeitadas, todas fechadas com correntes em forma de trança. Cadeados em cores modais. Cada qual dentro de uma bolsa. Bolsas listradas em tons pastéis. Zíperes dé inúmeros tipos, de todas as marcas, por todos os lados. Cordas. Armadilhas, ratoeiras, guilhotinas. Um lago gelado de águas turvas e perigos silenciantes entre as duas margens. Um fosso escuro do pior umbral. Placas e avisos claros, inúmeros cães raivosos. Um vulcão em erupção, um dragão, uma tradução de texto hungaro, uma contagem de trilhão, noite de insônia, fila de espera no calor.
Não se sai mais de lá. De dentro da menor matriuska.

3 comentários
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maio 15, 2010 às 2:49 pm
olorruama
Fiquei sufocada só de imaginar, mas diante de tanta hostilidade, ousar sair é se ferir ainda mais. O espaço minúsculo ganha proporções suficientes para ocultar nossas inquietações e consolar nossas decepções, assim o “internalizado” tem qualquer dimensão, pois nos interessa apenas ter um lugar seguro para deixá-lo.
Mais uma vez, como sempre vc me translada para o subjetivo….amo pensar, por meio de seus gritos silenciosos…bjos
maio 16, 2010 às 5:45 pm
bea
nada pior do que uma prisão que é utilizada como peça de decoração kitsch.
maio 20, 2010 às 10:48 pm
Cesar Roldão
You’re so welcome back…