- Você conhece aquele cara que tá olhando pra cá?
- Não.
- Meu, mas ele não pára de olhar, caramba!
- Pô, deixa o cara olhar. Ele tem olho, oras.
- Vai ver é viado.
- Vai ver é neonazista.
(silêncio)
- E daí?
- E daí o quê?
- E daí se ele for neonazista?
- E daí se ele for viado?
- Se ele for viado explica ele olhando pra cá.
- E…
- E se ele for neonazista tá olhando pra cá porque? Deve tá achando que a gente é que é viado.
- Meu, pára com isso.
(silêncio)
- Cara, eu vô lá tirar satisfação.
- Vai lá!
- Ué, você não vai tentar me impedir?
- Claro que não. Nem te conheço.
- Como não, cara? A gente tá aqui nessa fila tem mais de meia hora. E já tamo até trocando idéia.
- Eu, heim… paulista é tudo louco.
- Ah tá! E você é o quê? Carioca, mermão?
- Não. Sou neonazista. E você?
- Eu sou viado.
- Porra, vá a merda!

6 comments
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Julho 16, 2009 às 12:23 pm
olorruama
Adoro…cada texto seu me traz uma realidade inatingível, me revela a vdd do que ñ foi dito, dei boas risadas, sinceramente admiro sua astúcia, qro ser assim qdo crescer…amo-te!
Julho 23, 2009 às 4:33 am
Eduardo
Como disse Elloá no video da laje: desde que tenha carão..
Julho 28, 2009 às 3:26 am
Rai
Lembrou-me aquela fatídica madrugada, quando me acusaram de ter corrido e você perdeu sua boina…
Agosto 1, 2009 às 3:09 am
Felipe
Porra, Júlio !
Sensacionaaaaal!
Abraço !
Setembro 9, 2009 às 5:55 am
BlOGMUNDOCÃO
Nossa muito bom esse texto! , poético e bem real ao memso tempo é só ir para as baladas dessa rua numa noite que podemos encontrar esta situação!
Outubro 17, 2009 às 1:14 pm
Talita
Adorei o texto Julinhoooo e, todo o conteúdo manifesto.
… dale rua augusta rs!