Trabalhava num banco e vivia angustiado. Um dia teve coragem e tomou a decisão que achava certa: largar tudo e correr o mundo em busca de si. Queria se conhecer. Livros de auto ajuda sempre lhe disseram que não era quem pensava: ele poderia ser mais! Viajou por todos os cantos do hemisfério e em todos os lugares que passava perguntava a desconhecidos por si. E sempre a mesma resposta: Nunca vi!
Alguns anos e infinitos mantras depois, cansado, regressou ao ponto de partida em crise com o Dalai Lama: ainda não sabia quem era. Angústia persistente. Decepções íngrimes. Desconforto lacerante.
Ao perceber aquela massa esguia e disforme se aproximar, a velha vizinha do 134 não teve dúvidas, saudou-o com êxito, bronca e vento entre os dentes:
- Creidysson, viado!! Ocê deixou a Vanlúcia embuchada e sumiu, seu sarnento!!!
Sentiu um alívio intenso e imediato! Sua busca por si terminara ali mesmo.

5 comments
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Fevereiro 2, 2008 às 9:53 pm
Tamara
É… A gente nunca se encontra, ou sempre se acha nessas perdas. Geralmente gosto desse ir e vir…
Inté :]
Fevereiro 2, 2008 às 10:58 pm
Alberto
Creidysson? Vanlúcia?
Jesus!!.. hehehehe
Fevereiro 4, 2008 às 8:09 pm
Cadinho RoCo
Por tantas vezes vamos tão longe em busca do que está tão perto.
Cadinho RoCo
Fevereiro 5, 2008 às 5:20 pm
Diana
As resposta podem estar no amarelo das flores do nosso próprio jardim.
Fevereiro 8, 2008 às 12:35 am
Brenon
essa coisa de gravidez é problema né